O CULTO A CABOCLO/A NA COSTA DO DENDÊ

De acordo com a fala de Mãe Mira, vemos o quão era movimentado o calendário religioso do Diandelê. Dar um boi não era um ato comum a todas as casas de Candomblé, para se dar um boi era preciso ter condições financeiras:

“A maior festa era em janeiro, esta era a maior… chama a mesa da Jurema. Era no último domingo de janeiro. A mesa da Jurema era a festa do caboclo Sebastião e Ubirajara. Era três dias de festa. Dava um boi e tudo”… (Mãe Mira, 2002).

A Mesa da Jurema que se realizava no último domingo de janeiro, era a Festa mais esperada da Comunidade Diandelê, parentes, vizinhos, amigos, autoridades, filhos e filhas de santos congregavam de 3 dias de festividade em honra aos caboclos Ubirajara e Atumbansé. Nestas ocasiões, anuais, se ofertavam um boi para a alimentação dos participantes e dos caboclos.

A mesa da jurema era esperada por toda a redondeza, eram vários carros estacionados pelos caminhos da Rua do Cajueiro. Era hora dos filhos de fé assistir o dançar e o cantar dos caboclos da casa. Na Mesa da Jurema era momento de muita alegria, mas também de muita reverência aos donos da terra.

Mãe Mira e Mãe Bela organizavam centenas de frutas nas mais diversas cores e tipos. Flores, muita bebida de plantas medicinais, a exemplo do Aruá, muito

procurado inclusive por Doutor Mustafá, que recorda com Bastante precisão.

Ê jurema, ê jurema,

chama os caboco

para vir beber jurema.

(Cantiga entoada pelos kambondu do Diandelê)

O samba de caboclo é a louvação da liberdade do dono da terra, da terra brasileira. É a interpretação dada pelos segmentos de matriz africana daquele que representa em síntese o ancestral brasileiro. Os rituais dos candomblés de caboclo seguem a formação da roda, conforme o xirê dos candomblés de nação. Há uma ordem nas danças, mantendo sempre a roda em organização hierárquica como nos demais terreiros. (SABINO; LODY. p. 6827).

FONTE: LUANGOMINA, Tata. Mãe Mira: a estrela negra da Costa do Dendê – memória e trajetória de uma sacerdotisa do candomblé angola do território do Baixo Sul da Bahia. UNILAB- campus dos Malês – São Francisco do Conde, 2016.

0 Comentários

INSCRIÇÃO EM CURSOS

Enviando
©2018 DESIGN DIALOGICO: UMA ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO CRIATIVA DE TERRITÓRIO
ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account