Design Dialógico é uma ação projetual, colaborativa, entre dois entes, na qual o processo é conduzido essencialmente pelo reconhecimento, potencialização e inclusão de identidades.

No Design Dialógico, não existe uma relação de sujeito e objeto, mas de sujeitos, em processos de troca de saberes e conteúdos, que se enriquecem e se alimentam, em suas diferenças, criando um campo de complementaridades, de troca de conhecimentos e sinergias, com vistas à dinamização de cenários.

As bases da tecnologia social design dialógico aplicada ao relacionamento entre designers e artesãos tradicionais, foram lançadas na dissertação Design Dialógico: Uma Estratégia para Gestão Criativa de Tradições e no livro Design Dialógico: Gestão Criativa, Inovação e Tradição, onde os sujeitos do diálogo são designers e artesãos tradicionais. A partir dessa relação todo o entorno que circunda a tradição é dinamizado, a identidade local é materializada em artefatos, em espaços, em festas em roteiros turísticos, em gastronomia e tantas outras possibilidades.

O Design Dialógico, aplicado enquanto uma estratégia para a Gestão Criativa de Território, muda a perspectiva de atuação do design, que se posiciona de forma estratégica, enquanto orquestrador de um sistema, onde a ação projetual é realizada pela sociedade civil, na proposição de soluções para os problemas que se apresentam nos seus territórios.

Desta forma, o programa Design Dialógico, busca interagir com o território percebendo e potencializando projetos voltados para o desenvolvimento sustentável com base na identidade cultural, pela sociedade civil que demonstrem potencial de ativação da economia criativa.

A primeira ação é o entendimento e escuta do território, para possibilitar a compreensão e interpretação da realidade, que está no cotidiano, desta forma o primeiro passo é estabelecer o diálogo com os atores presentes , buscando entender quais são seus anseios e suas propostas de soluções para os problemas que se apresentam, conjugando com estes, as soluções projetuais possíveis e ideais.

Esta conexão é possível através da escuta, da busca do entendimento da cultura, memória, do meio ambiente e das forças atuantes no local, buscando compreender e fortalecer o tecido social, entrelaçando histórias, criticidade e soluções projetuais inovadoras, que atendam aos anseios de desenvolvimento sócio-econômico de carácter sustentável em territórios.

O programa impulsiona a realização das ideias, que podem se consolidar como empreendimento criativo, articula os projetos em rede, desenvolvendo uma estratégia de inteligência coletiva que suscita a cooperação entre projetos e maior possibilidade de parcerias públicas e privadas.

Esses empreendimentos criativos materializados entram em troca direta com o território, se fortalecendo, porque a ação da materialização, tonifica os projetos e por outro lado, fortalece o território, levando soluções endógenas, porque são suscitadas da vivência e cotidiano na localidade.

Assim são acolhidas propostas inovadoras de educação, de arte, de saúde comunitária, de identidade, meio ambiente e tantas outras propostas e suas ações, que contribuem para a formação de um ecossistema vivo e criativo.

  • 1 – O Design Dialógico como Prática Projetual em Territórios

A palavra “design” vem do latim designare, que significa traçar, descrever e planejar. Pode-se falar aqui do design enquanto instrumento de idealização e criação de algo ou ação, orientado por uma intenção ou objetivo, normalmente para a solução de um problema. Essa é uma atividade projetual (traça e descreve) e estratégica (planeja).

Em inglês design se refere mais ao processo de projetar (atribuindo assim um sentido mais prático), enquanto que em espanhol design está mais associado ao planejamento projetual, trazendo então uma ênfase mais estratégica (CALVERA, 2005).

Assim compreendemos que o designer é um idealizador, um projetista, voltado para a solução de problemas nas mais diversas áreas e que por isso desenvolve competências multidisciplinares, em busca do alcance do objetivo que é a solução de um problema.

Assim uma das principais capacidades do design é o desenvolvimento da escuta e observação, esses são os canais de percepção e análise de cenário que permitem identificar onde estão os gargalos e qual o projeto que atenderá a solução do problema.

Peter Behrens, considerado por muitos o primeiro designer da história, teve uma carreira como professor universitário, arquiteto, pintor, ilustrador, ceramista, encadernador, tipógrafo, moveleiro, professor, reformista, inovador, inventor. Teve importantes seguidores como Le Corbusier e Walter Gropius que fundou em 1919 a Bauhaus, a primeira escola de design.

BAUHAUS (casa da construção) é a inversão do termo HAUSBAU (construção da casa). Este neologismo, criado por Walter Gropious (1883-1969), foi destinado a dar nome a uma escola, ou mais, um programa que criara em 1919, com uma proposta de ensino revolucionária, onde os alunos aprendiam não só teoria, mas usavam suas mãos nas oficinas de ofícios e artes.

Juntando arte, artesanato, arquitetura, uma pesquisa intensa de textura e um pensamento no coletivo, no comum, se fundou o ensino do design.

Considerando portanto o designer como um idealizador, um projetista, voltado para a solução de problemas, com sensibilidade multidisciplinar, e detentor de uma visão holística e estratégica, com o foco na função e no destino humanístico, podemos considerar que todos, na medida em que projetamos, que idealizamos soluções de problemas e materializamos estas ideias, nos colocamos na posição de designers.

E se projetamos, a partir do diálogo com a identidade local e com as tradições de um território, se pensamos em pluralidades, somos designers dialógicos, desta forma, todos somos capazes de praticar o ato do design, a ação projetual, e estabelecer a simetria entre o anseio individual e o bem coletivo no território, alimentando o campo de complementaridades e sinergias, com vistas à dinamização e desenvolvimento humano.

  •  2 – Metodologia Design Dialógico

Design Dialógico é uma ação projetual estratégica, que busca a geração de produtos, processos, serviços e conexões, voltados para o desenvolvimento sustentável de territórios, entrelaçando, para alcance desse objetivo, as dimensões ambiental, social, econômica e inteligência coletiva:

Dimensão ambiental – através da busca pela utilização de insumos advindos de reuso e valorização dos recursos endógenos locais;

Dimensão social – através da valorização dos atores sociais presentes, valorização da cultura e da memória local;

Dimensão econômica – através da dinamização de atividades de base económica com carácter inovador e sustentável, combinando a lógica da economia solidária, criativa e de mercado;

Inteligência coletiva – através da construção de parcerias e sinergias, voltadas para a criação de uma pauta comum com vistas a qualidade sócio ambiental da localidade, colocando em diálogo a sociedade civil, entidades públicas, privadas e terceiro setor.

Design Dialógico é portanto, uma ação projetual, colaborativa, baseada no respeito, potencialização e inclusão de identidades, portanto o eixo da ação projetual, é o reconhecimento dos sujeitos no território, suas vivências e as soluções que estes propõem para mitigar os problemas vivenciados, é a partir do reconhecimento destes agentes em diálogo com o seu território, que o design acontece.

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©2017 DESIGN DIALOGICO: UMA ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO CRIATIVA DE TERRITÓRIO
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